Mostrando postagens com marcador Czeslaw MILOSZ. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Czeslaw MILOSZ. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Preleção I

(...)Mas era esperto o bastante
Para admirar o poeta
Por ele suportar com bons modos
As circunstâncias desagradáveis:
Aquelas damas com as melhores intenções,
Os esnobes e seus aplausos,
O canibalismo e as guerras
Do seu século.

Porque o palestrante apenas fingia
Estar entre eles, com eles.
Na verdade, recolhido,
Estava contando sílabas.
Servo da arquitetura,
Criador de variantes de cristal,
Se apartava da causa
Irrazoável dos mortais. (...)

MILOSZ, Czeslaw. "Preleção". In: Não Mais. Seleção, tradução e introdução de Henryk Siewierski e Marcelo Paiva de Souza. Coleção Poetas do Mundo. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 2003.

Preleção II

(...) E infelizmente, infelizmente passaram
A alegria e o choro,
A fé e o desespero,
A vileza e o horror.
O vento cobriu de neve os sinais,
A terra levou os gritos,
Hoje ninguém mais se lembra
Como e quando isto foi.

E só um dourado, brilhante
Verso decassilábico
Perdura e perdurará pela própria
Harmoniosa razão.
E eu, tarde, retorno
Com um pouco de amargura
Ao seu cemitério marinho
Num meio-dia começado a cada dia.

MILOSZ, Czeslaw. "Preleção". In: Não Mais. Seleção, tradução e introdução de Henryk Siewierski e Marcelo Paiva de Souza. Coleção Poetas do Mundo. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 2003.