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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Vox desmoraliza o Datafolha

 Do "Conversa Afiada":

Há 28 dias o Tracking diário da Vox Populi mostra que a Dilma continua no mesmo lugar. Essa posição lhe garante uma vitória no primeiro turno.

O Tracking de hoje da Vox Populi tem uma mudança irrelevante: o Serra ganhou um ponto e Bláblárina Silva perdeu um ponto. Ou seja, a “onde verde” tem a consistência do discurso da Bláblárina contra Darwin e a pesquisa com células-tronco. O Tracking da Vox Populi ouve 500 pessoas diferentes por dia. A Vox Populi, supõe-se, que faça outras pesquisas para partidos com amostras maiores e outras pesquisas em alguns Estados cruciais com amostras também diferentes.

Portanto, como o Marcos Coimbra, responsável pela Vox, é um profissional respeitado de estrutura intelectual que dá de 10 a 0 nos congêneres do Datafalha e do Globope, se houvesse discrepância entre as diferentes pesquisas ele não divulgaria o Tracking. O problema é que no Brasil, antes da Ley de Medios, é possível o jornal nacional é possível divulgar o Globope e o Datafalha e omitir a Vox e a Sensus, ambas de Minas, a terra da Inconfidência.

Só o Ali Kamel e uma testemunha bomba, como o sequestrador do Abílio Diniz aparecer com a camisa da Dilma, poderá alterar essa eleição. Nem o Ali Kamel, o mais poderoso jornalistas que jamais trabalhou na Globo, conseguirá manipular uma eleição que tem como marionetes o jenio e a Bláblárina Silva.

Com esses dois, nem o Ali Kamel multiplica os pães.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Sabatina com Dilma - JN - 09/08/2010



A entrevista é comparável ao crime cometido pela Rede Globo, ao editar o famoso debate entre Collor e Lula em 1989. Golpistas, duros, inconformados com o sucesso do governo Lula, a imprensa brasileira tem um candidato. É o PIG e sua sujeira, agindo através das garras sujas desse casalzinho tão modelo das elites brasileiras. Dilma foi bem, muito bem. Diferente do debate da Band. Espero, ansiosamente, pelos números do Datafolha ...

terça-feira, 27 de julho de 2010

O dia em que o Datafolha derrotou Jânio Quadros (que venceu com 4% de vantagem)


Do Blog de Luiz Carlos Azenha:

Como os arquivos do Viomundo antigo estão em frangalhos, um problema que o Leandro Guedes promete resolver em breve, vou dar uma de caduco: contar de novo, em poucas palavras, uma história antiga, acrescentando alguns detalhes. Aconteceu, como diria aquele personagem do Chico Anysio, em 1985. Eu era um jovem, porém experiente repórter. Tinha pedido demissão da TV Globo pela primeira vez (o equivalente, naquela época, a pedir demissão da Petrobras), já que a emissora queria que eu fosse chefe do escritório de uma futura emissora, em São José do Rio Preto, mas eu queria me formar, o que exigia minha presença física em São Paulo (eu levava o curso de Jornalismo na Universidade de São Paulo aos trancos e barrancos e só colei grau em fevereiro de 1987, quando já era correspondente da TV Manchete em Nova York).

Um dia, estudante em São Paulo e desempregado, passei pela entrada do Hospital das Clínicas, onde Tancredo Neves estava moribundo, e encontrei o Heraldo Pereira, então repórter da TV Manchete, que me disse que a emissora tinha vaga para repórter (àquela altura eu já tinha quatro anos de experiência em TV, o que incluia longos meses cobrindo férias na Globo de São Paulo, com muitas reportagens em jornais de rede e algumas no Jornal Nacional). Fui contratado. Como aquele era ano de eleições para a Prefeitura de São Paulo, fui escalado pela Cristina Piasentini para acompanhá-las. Foi assim que passei a periodicamente visitar a casa do candidato Jânio Quadros, na Lapa, em São Paulo. Conheci dona Eloá, a ex-primeira dama. O ex-presidente tinha sido candidato a governador em 1982, nas primeiras eleições diretas para o cargo durante o regime militar. Perdeu para Franco Montoro. Agora ensaiava uma nova tentativa eleitoral, com apoio na centro-direita. Os outros candidatos importantes eram Fernando Henrique Cardoso, do PMDB de Montoro, herdeiro do MDB, o partido de oposição ao regime militar; e Eduardo Suplicy, do recém-formado Partido dos Trabalhadores.

Jânio concorria pelo PTB. Ele mesmo abria o portão da casa e nos encaminhava para um escritório anexo. Confesso que não era o candidato de minha simpatia (eu tinha votado em Montoro para governador e, se meu título fosse de São Paulo, provavelmente votaria em FHC para prefeito). Mas Jânio era um homem muito simpático. Pedia café e conversava com o jovem repórter como se eu pudesse decidir as eleições. Nas entrevistas, atacava Fernando Henrique Cardoso como alguém que teria mais intimidade com os subúrbios de Paris do que com a periferia de São Paulo. Jânio gostava de falar dos bairros que conhecia pessoalmente, especialmente da vila Maria, que era sua base eleitoral. Jânio dizia abertamente que parte da mídia era inimiga dele. Citava a TV Globo, razão pela qual, presumo, recebia tão bem as equipes da Manchete (sobre acertos de bastidores da Manchete com Jânio, eu era muito jovem para saber).

No dia da eleição, 15 de novembro de 1985, a TV Manchete instalou uma câmera daquelas grandes, de estúdio, na redação da Folha de S. Paulo. Ao longo da campanha eleitoral eu havia entrevistado o Otavinho, já que a Manchete tinha feito um acordo para divulgar os resultados das pesquisas do Datafolha, recém-criado. Uma das minhas primeiras intervenções ao vivo foi para anunciar o resultado da pesquisa de boca-de-urna do Datafolha em São Paulo. Fernando Henrique Cardoso seria eleito prefeito de São Paulo, previa o Datafolha. Já não me recordo qual era a margem prevista pelo instituto. No entanto, assim que a votação acabou e começou a apuração, os resultados do Datafolha eram distintos dos revelados pela contagem física dos votos. Ao longo da campanha, Jânio Quadros tinha se servido de pesquisas não-científicas feitas pela rádio Jovem Pan, que colocava equipes volantes para entrevistar eleitores nas ruas de São Paulo. Pelas “pesquisas” da Pan, Jânio seria eleito.

A situação foi ficando cada vez mais tensa na redação da Folha. Havia um terrível descompasso entre a previsão e a contagem. Por pressão da redação da TV Manchete (que conversava comigo pelo ponto e por uma linha telefônica específica), chamei o Reginaldo Prandi, que falava pelo Datafolha. A explicação dele, ao vivo, foi a seguinte: por enquanto as urnas apuradas são de regiões onde Jânio Quadros tem a maioria dos votos; quando chegarem ao TSE as urnas de outras áreas de São Paulo, Fernando Henrique vencerá. Segundo Conceição Lemes, que também era repórter em 1985, o governador Franco Montoro chegou a dar um entrevista à TV Record agradecendo os eleitores de São Paulo pela escolha de Fernando Henrique, aparentemente baseado na pesquisa Datafolha.

Ou não. Isso não me ocorreu na época, mas uma pesquisa de boca-de-urna viciada pode servir a interesses inconfessáveis: se a margem em favor de um candidato for bastante reduzida, pode permitir que pilantragem eleitoral mude o resultado. Como diria a Folha de S. Paulo, não há provas de que isso tenha acontecido então, mas também não há provas de que não tenha ocorrido. Ao fim e ao cabo recebi uma ligação de Pedro Jacques Kapeller, o Jaquito, o principal executivo da TV Manchete abaixo de Adolpho Bloch, que disse algo assim: “Azenha, esquece o Datafolha, pode dizer que o Jânio vai ganhar baseado na apuração”.

Foi o que fiz. Jânio, eleito, foi para a sede da TV Manchete, na rua Bruxelas, dar uma entrevista ao vivo. Ele venceu com 39,3% dos votos válidos, contra 35,3% de Fernando Henrique e 20,7% de Eduardo Suplicy. Ou seja, a “vitória” de FHC no Datafolha foi desmentida pela vantagem de 4% que Jânio obteve nas urnas. Infelizmente, não disponho dos dados do Datafolha de 1985. Aparentemente, essa é uma história que o instituto prefere esquecer.

Os problemas metodológicos do Datafolha

Do Blog do Nassif:

Por que diferenças tão grandes entre as pesquisas para presidente do Datafolha e do Vox Populi?

Para entender esse enigma, o primeiro passo é constatar que há meses, tanto no Vox Populi quanto no Datafolha não houve mudanças significativas nos dados. Em um, Dilma está na frente, em outro Dilma e Serra estão empatados. Mas em ambos os resultados estão inalterados. Significa que os dois institutos estão medindo o mesmo fenômeno. A diferença está no universo pesquisado.

Para João Francisco Meira Filho, diretor do Vox Populi, provavelmente o universo do Datafolha é mais restrito, como se fosse um sub-universo do Vox Populi – e de outros institutos.

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A diferença reside na metodologia adotada por cada Instituto. O Vox Populi (e os demais) analisam os dados do IBGE e montam uma amostra que reproduza o perfil do eleitorado brasileiro. Definem o percentual de pesquisas de acordo com idade, sexo, escolaridade, região etc. Seus pesquisadores recebem ordens detalhadas: vá até a cidade tal, na rua tal, conte as casas até seis, entre na sexta e preencha o questionário. Depois, escolhe-se determinado número de questionários para fiscalizar se o pesquisador atuou corretamente. Em suma, é um modelo que busca repetir com precisão o universo populacional medido pelo IBGE e mantém estrito controle sobre a qualidade dos pesquisadores e dos questionários.

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Por questão de economia e rapidez, o Datafolha optou pelo sistema de ponto de fluxo. Os pesquisadores vão às cidades a serem pesquisadas, escolhem os pontos de aglomeração que quiserem e pesquisam aleatoriamente. A metodologia do Datafolha pressupõe que, agindo aleatoriamente, se chegará ao perfil da população brasileira. Pontos de aglomeração são metrôs, shoppings, estações rodoviárias, praças etc. Em geral, pessoas de menor renda, menor alfabetização, têm índices menores de sociabilidade. E acabam não freqüentando locais públicos.

Mais que isso: não pega a população rural. Segundo o Vox Populi, a população rural representa 16% do eleitorado. Nela, Dilma Roussef tem vencido por ampla margem, 50 a 25%. Só nesse universo, a diferença a favor de Dilma representa 4 pontos percentuais dentro do universo total de eleitores, que não são medidos pelo Datafolha. O mesmo ocorre no corte dos entrevistados sem e com telefone. Medindo apenas os com telefone, os dados do Vox são similares aos do Datafolha. Juntando os dois, dá a diferença.

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Nenhuma teoria conspiratória: o instituto não sabe fazer de outro modo. Sempre foi assim. Essas vulnerabilidades metodológicas não apareceram tanto em outras eleições, porque a imagem de Lula era muito forte para toda a população. Nessa eleição, existe a chamada assimetria de informação: classes de menor renda têm menos informações sobre Dilma Rousseff e as eleições do que classes de maior renda.

Além disso, a pesquisa Datafolha reforça essa falta de informação ao excluir um atalho informacional importante: o partido a que pertence cada candidato.

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Segundo João Francisco, essa confusão toda acabará na segunda semana de agosto. Aí, já terá começado o horário eleitoral, o país será submetido a uma torrente de informações, o conhecimento se uniformizará e os dados do Datafolha acabarão convergindo para os de outros institutos - embora com muito atraso.