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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Uns Braços

Não o achei propriamente bom, mas sim, engraçado. E engraçado mais pelas distâncias do que pelas semelhanças que observei ao comparar as imagens que fazia das personagens D. Severina, Inácio e Borges com as imagens que nos são apresentadas no filme. Parece-me quase sempre decepcionante a adaptação de grandes obras da literatura nacional ao cinema. Excluiria, sem dúvida, Lavoura Arcaica. Filme e livro dialogam em sintonia perfeita, cada um com sua linguagem. De Uns Braços, baseado no célebre conto de Machado de Assis, não poderíamos dizer a mesma coisa. Vale, entretanto, pelo narrador em off. O que é dito, como se sabe, serve mais para mostrar o ocultamento da paixão do que o seu desenrolar. Capciosa natureza do desejo. Há ideias que são da família das moscas teimosas: por mais que a gente as sacuda, elas tornam e pousam.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Filosofia dos epitáfios

Saí, afastando-me dos grupos, e fingindo ler os epitáfios. E, aliás, gosto dos epitáfios; eles são, entre a gente civilizada, uma expressão daquele pio e secreto egoísmo que induz o homem a arrancar à morte um farrapo ao menos da sombra que passou. Daí vem, talvez, a tristeza inconsolável dos que sabem os seus mortos na vala comum; parece-lhes que a podridão anônima os alcança a eles mesmos.

domingo, 26 de abril de 2009

Le temps

"Mon ami, faisons toujours des contes...
Le temps se passe, et le conte de la vie
s'achève, sans qu'on s'en aperçoive".

Diderot

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Memorial de Aires

Do Conselheiro Aires, ao justificar a preferência pela conversação das mulheres: "Na mulher, o sexo corrige a banalidade; no homem, agrava".