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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Calçada da lama I

A rua Canuto do Val, em São Paulo, é alvo de uma discórdia urbanística que, por vias indiretas, fez do escritor Oswald de Andrade um desafeto do cantor Nelson Gonçalves, e vice-versa. Um uspiano inspirado diria que, naquele logradouro, a repulsa às escleroses urbanas do primeiro chamou para a briga a boemia do segundo.

O?ringue em questão é um conjunto de bares e restaurantes que a empresária Lilian Gonçalves, de 62 anos, filha do intérprete de A?Volta do Boêmio e A?Deusa da Minha Rua, vem erguendo há trinta anos naquela rua do bairro de Santa Cecília. As tais escleroses contra as quais Oswald bradava no “Manifesto Antropófago” de 1928 se materializaram com o barulho dos bares, à noite, e das britadeiras, de dia.

Calçada da lama II

Os vizinhos reclamaram. Um deles, neto do escritor, Rudá K. Andrade, de 34 anos, na melhor tradição da família, produziu um manifesto?– no caso, contra a “calçada da lama”, apelido áspero dado ao projeto de calçada da fama que Lilian defende e promove na frente de seus estabelecimentos.

“Eu escrevi de raiva: o negócio está acontecendo aqui no meu nariz”, disse Rudá, que é cineasta e codirigiu o documentário Somos Todos Sacys. “Eu já não dormia de noite com o barulho dos bares, aí chegava de manhãzinha e tá-tá-tá-tá. Foi mais de um mês de britadeira. É insano.”

Como todo manifesto, o de Rudá prefere as labaredas da hipérbole à tranquilidade da ponderação. O?texto convoca os vizinhos a se organizarem contra “um verdadeiro pesadelo”, uma trincheira “mais barulhenta que as da Primeira Guerra Mundial”. A?fúria retórica se concentra na malsinada calçada, que comerá à rua 1,50 metro de largura, além de todas as vagas de estacionamento. É?o espaço vital para que se possa prestar homenagem a “Roberto Carlos, Jô Soares, Hebe Camargo e Silvio Santos, entre tantos merecedores desta honra”, como explica o site da Rede Biroska, nome do complexo comercial de Lilian.

A?assinatura de um legítimo Andrade deu um peso modernista ao movimento e às reivindicações da associação de moradores do bairro. Não que Lilian tenha atinado para esse detalhe histórico. Indômita, ela continuou avançando com suas estrelas sobre a Canuto do Val como quem ergue uma capital no meio do cerrado. A?imagem não é gratuita. Sua mãe era amiga de Oscar Niemeyer e Juscelino Kubitschek?– o arquiteto, um rematado boêmio, e o presidente, pé de valsa contumaz.

Como a filha de Nelson Gonçalves diz que passou parte da infância com jk, desconfia-se que tenha aprendido com ele lições meio tortas sobre como construir coisas. Se um presidente pôde espalhar asfalto e concreto por cima de pequis, por que não deveria uma rainha da noite alargar a calçada à lá Orestes Barbosa, pisar nos astros distraída?

Segundo Lilian, a calçada não é um projeto seu, embora se desenrole diante dos cinco bares e restaurantes que lhe pertencem na Canuto. (São eles: Bar do Nelson, Siga la Vaca, Frango com Tudo, Espetinho e Biroska, que dá nome à
rede. Nas suas paredes estão penduradas 4 500 fotos mostando Lilian.) “A?obra é do Kassab”, diz a empresária, jogando o mico no colo da prefeitura. De fato, não poderia haver obra mais municipal: a calçada da fama virou lei depois da aprovação de um projeto legislativo do vereador Paulo Frange, do ptb, um dos cassados no fim do ano passado por captação ilícita de recursos junto à Associação Imobiliária Brasileira (em maio, a Justiça Eleitoral paulista anulou a cassação).

A?prefeitura ficou responsável pelo alargamento da calçada e a alteração de meios-fios e sarjetas, a um custo de aproximadamente 70 mil reais. A Lilian caberá arcar com os cerca de 4 milhões do acabamento e da pavimentação do passeio, essencial para receber o chão de estrelas que celebra os “nossos ídolos”, nas palavras da empresária. Para que não restassem dúvidas quanto ao pedigree oficial da obra, as primeiras estrelas da calçada foram dedicadas ao então governador de São Paulo, José Serra, e ao ex-governador, Geraldo Alckmin.
Os paulistanos, ao que parece, levarão algum tempo antes de pisar nas estrelas. A?calçada começou a ser quebrada em setembro passado, abocanhou uma das faixas da rua de mão única, mas no momento encontra-se retalhada à espera de uma decisão judicial. A?obra foi embargada pelo Ministério Público um mês depois de seu início, a partir de uma ação de comerciantes do entorno. A?Rede Biroska entrou com um recurso, que foi negado em segunda instância. Agora, novo recurso, só na capital federal?– aquela de jk.

Lilian diz que não tem interesse em dar entrevista. “Não neste momento. Até a Hebe me chamou e eu não vou lá”, explicou. Deixa apenas escapar que o embargo é uma “bobeira” e que “já, já passa e nós ganhamos”.

Calçada da lama III

Tendo vencido os primeiros rounds, o neto de Oswald de Andrade e Pagu invoca o avô para dar substância intelectual a seu movimento. Oswald dizia-se “contra todos os importadores de consciência enlatada”, e Rudá assina embaixo. “Essa coisa da ‘fama’, tentando imitar Hollywood e ficar homenageando os já consagrados é o brega que tem no Brasil. Não é cultura popular, é o brega-chique. Os únicos homenageados ali eram o Serra, o Pelé, a Xuxa, o Roberto Carlos, o Sérgio Reis. E?ela defendia o negócio como um projeto cultural, tentando entrar num esquema de revitalizar o Centro.” Segundo o neto, o escritor teria grandes decepções com esta São Paulo que, felizmente, não conheceu. “Estaria puto com mil outras coisas. Ele morreu em 1954, e estaria perdido  aqui”, diz Rudá.

Mas quem pode saber o que se passa na cabeça dos poetas, principalmente os mortos? Afinal, o escritor é autor dos versos

Não permita Deus que eu morra

Sem que eu volte pra São Paulo

Sem que veja a rua 15

E?o progresso de São Paulo

Lilian não conhece o poema, mas poderia invocá-los, ao reagir com espanto à informação sobre a genealogia de Rudá: “E como é que ele, sendo neto do Osvaldo de Andrade”?– ela disse Osvaldo mesmo, usando a pronúncia correta?– “sabendo da falta de memória desse país, vai contra uma calçada da fama brasileira?”

Rudá não quer o fim dos bares, só da bagunça. “Queremos organizar”, diz. A?ruazinha modesta é uma paisagem de festa, mas o bom negro e o bom branco da nação brasileira, aqueles do poema de Oswald, parecem estar dizendo: Deixa disso, Lilian/ Me dá um descanso.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

José Serra buscando apoio

Serra, em suas últimas tentativas para amenizar uma acachapante derrota ...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Senador Arthur "Mike Tyson"



Para comemorar a derrota acachapante de Arthur Virgílio !

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Gilmar Dantas

Do blog do Hariovaldo Almeida Prado:

O Excelso Tribuno dos Homens Bons no Supremo, Gilmar Dantas mais uma vez não se furta a defender a verdade e a decência frente às forças bolchevistas que lutam para implantar a sovietização do país através das vias ilícitas e imorais. Acontece que foi descoberto um plano comunista para fraudar as eleições através da substituição das pessoas de bem, eleitores de Serra, por agentes venezuelanos disfarçados, os quais votariam no lugar das pessoas sequestradas. Por isso, a única forma de impedi-los nesse plano maligno é através da exigência de um documento com foto na hora da votação, onde com a comparação da foto da pessoa com o agente chavista ficaria patente a fraude pois todos os elementos subversivos bolivarianos usam barba à la Fidel, diferentemente dos brasileiros, o que justifica a extrema necessidade da exigência.

Alertado a tempo por José Serra, Gilmar pode impedir que os demais membros de tão elevada corte caíssem no conto dos marxistas e suspendeu a votação para o bem do Brasil. Alvíssaras! É reconfortante saber que temos no STF um varão a altura do futuro presidente da nação, sempre pronto a atender nossos chamados na dura luta contra o comunismo petista que sempre ameaça o país.

Jô Soares criticando o "Cansei"



Relembremos o ridículo "Cansei": um movimento de direita, de ricos paulistanos, que se aproveitou do acidente da TAM (2007) para fazer o que chamaram de "política". Eis a turma, entre outros, que declarou  o movimento "apartidário" (será?): João Dória Jr, Luiz Flávio Borges D'Urso, Hebe, Ivete Sangalo, Regina Duarte, Ana Maria Braga, Paulo Zattolo. Este último, presidente da Philips no Brasil, afirmou: "Não se pode pensar que o país é um Piauí, no sentido de que tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado". Fizeram passeata. Gritaramm "Fora Lula". Cantaram, timidamente, "Pra não dizer que não falei das flores". É o non sense total da elite branca paulistana. Serra os representa, mas a sua barca naufraga dia após dia.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Serra e a imprensa

Zé Chirico

 CLOACA NEWS:


Aqui entre nós: se essas histórias do Zé Chirico prometer salário mínimo de R$ 600 ,“dar aumento de 10%” para os aposentados e criar o décimo-terceiro do Bolsa-Família fossem sérias, e fizessem parte das diretrizes de um plano de governo, elas estariam sendo apresentadas aos eleitores desde o início da campanha – e não apenas a duas semanas das eleições, de maneira desesperada, como está acontecendo. Simples assim.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Nova Luz

Não se trata de um pós-guerra. Nem de omissão do Estado. Mas da atuação do governo demo-tucano. É  a Cracolândia, rebatizada através de uma ironia impassível e sarcástica com o nome de  "Nova Luz".  Luz  para quem mesmo?

Fascismo?



A campanha ganha ares odiosos. Baixaria, manipulação. A velha tática do medo disseminada por Collor e, infelizmente, reverberada na fala de Regina Duarte. O fim de Serra será triste. Assim como o do DEM. Assim como o de Dunga.

A crise do Zé

Opiário

Segundo Alckmin, São Paulo vai bem. Na educação, na saúde, no transporte público, no combate ao crack. É uma maravilha a Pasárgada paulista. Ou seria Maracangalha?

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

E agora, José?

Vitorioso, Serra escolhe o Ministério



Do Blog Os amigos do Presidente:
 
Como a vitória agora é questão de dias, é hora de começarmos a analisar o futuro ministério de salvação nacional do governo Serra. Alguns nomes já estão certos, outros ainda são dúvidas. É importante que cada um de nós dê sua opinião sobre eles ou indique substitutos. Vamos conhecê-los:

Relações Exteriores: Fernando Henrique Cardoso;

Defesa: Nelson Jobim;

Justiça: Gilmar Mendes;

Banco Central: Salvatore Cacciola

Comunicações: Ali Kamel;

Saúde: Cacá Rosset;

Economia: (Serra está em dúvidas entre Sardenberg e Leitão)

Segundo sugestões dos homens bons que frequentam este sítio noticioso, poderemos ter também as seguintes pessoas nos ministérios indicados:

Minas e Energia: David Zylbersteyn

Pró-Álcool: Lucia Hipolitro.

Cultura: Arnaldo Jabor

O IBGE será gerido pelo Datafolha.

Trabalho: Chiquinho Scarpa

Turismo: Maitê Proença

Ministério do Acarajé: Cira de Itapuã

Ministério da Juventude: Soninha

Instituto Federal de Reeducação Social Henning Boilesen: Jair Bosolnaro

Previdência Social: Georgina de Freitas

Igualdade Racial: Demétrio Magnoli

Reforma Agrária e Agricultura Familiar: Kátia Abreu

Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres: Rogéria

Articulação Política: Índio da Costa

Esportes: Ricardo Teixeira

A chefia da Casa Civil ficará com a Condoleesa Rice, pois é assunto muito sério pra ser tratado por brasileiros.

O Instituto Rio Branco passará a se chamar Ronald Reagan Institute.

Diário Oficial será substituído pela Folha de São Paulo.

As demais pastas analisaremos a medida que formos sabendo os nomes dos indicados. (Do Professor Hariovaldo Almeida Prado - Enviado por Sonia)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Erro de português

Não existe homem sem linguagem. Titio Aristóteles dizia também que o homem é um animal político. Daí, o rasteiro silogismo: sem linguagem não há política. A turma do Serra, infelizmente, desconhece esses preceitos básicos. A escolha da vice em 2002, Rita Camata, fez a alegria dos humoristas com a chapa Serra i Rita. Piada pronta, retrato fiel do candidato. Em 2010, o slogan "O Brasil pode mais" dá margem, como escreveu Gilberto Felisberto Vasconcellos, para o imediato trocadilho: Com Serra, o Brasil ficará podre demais. Ato falho, figuração certa de um possível governo Serra. Mais uma vez, a turmitcha demo-tucana vai mal, muito mal.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Trololós perigosos

Gabriel Priolli foi afastado da direção de jornalismo da TV Cultura. O ponto nevrálgico teria sido uma reportagem sobre os pedágios nas estradas de São Paulo. Ao que parece, a reportagem foi exibida no dia 9/7, pleno feriado comemorativo da brava resistência paulista na Revolução Constitucionalista de 1932. Heródoto Barbeiro foi substituído no comando do "Roda Viva" por Marília Gabriela. Alega-se que o fato nada tem a ver com a pergunta feita a José Serra sobre os famigerados pedágios. O que se percebe, no entanto, é que criticar o que está aí, sob o nosso nariz, não é permitido. Resta-nos ouvir o bordão "São Paulo é um estado cada vez melhor" como uma vuvuzela triste, mentirosa e distorcida.