Mostrando postagens com marcador Paul Valéry. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paul Valéry. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Esperando Godot


A primeira montagem profissional de Esperando Godot no Brasil aconteceu em 1969. Cacilda Becker interpretava Estragon e Walmor Chagas, Wladimir. A montagem foi marcada desde o seu pioneirismo até o fato emblemático de Cacilda sofrer um aneurisma no intervalo da peça e morrer pouco depois.

Para Walmor, Godot foi importante pela percepção central de que a humanidade está em espera: Além de frisar que a peça é “basicamente sobre o desespero, a miséria do homem sem Deus”, Chagas deixa bem claro também, ao contrário do que muitos pensaram, que a encenação, politicamente, era muito mais do que uma resposta direta à ditadura brasileira, que acabara de instituir o AI-5. Estava em jogo, sobretudo, a própria grandeza “ do texto”.

Walmor acreditava ser um ator devoto das palavras. Curioso, mas Beckett propunha que o caminho da literatura seria a despalavra, justamente porque a palavra em suas narrativas é problematizada não comomeio”, mas também comomaterial”.

Carentes de ações e contemplações, aguardamos os mais variados vislumbres. Terrível hodierno - nada acontece - mesmo com as mãos nervosas de todos os repórteres que tentam, em vão, transformar pífios acontecimentos em notícias. Como dizia Valéry, os fatos enfadam; como espuma, estão longe da desejada amplitude do mar

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Preleção I

(...)Mas era esperto o bastante
Para admirar o poeta
Por ele suportar com bons modos
As circunstâncias desagradáveis:
Aquelas damas com as melhores intenções,
Os esnobes e seus aplausos,
O canibalismo e as guerras
Do seu século.

Porque o palestrante apenas fingia
Estar entre eles, com eles.
Na verdade, recolhido,
Estava contando sílabas.
Servo da arquitetura,
Criador de variantes de cristal,
Se apartava da causa
Irrazoável dos mortais. (...)

MILOSZ, Czeslaw. "Preleção". In: Não Mais. Seleção, tradução e introdução de Henryk Siewierski e Marcelo Paiva de Souza. Coleção Poetas do Mundo. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 2003.

Preleção II

(...) E infelizmente, infelizmente passaram
A alegria e o choro,
A fé e o desespero,
A vileza e o horror.
O vento cobriu de neve os sinais,
A terra levou os gritos,
Hoje ninguém mais se lembra
Como e quando isto foi.

E só um dourado, brilhante
Verso decassilábico
Perdura e perdurará pela própria
Harmoniosa razão.
E eu, tarde, retorno
Com um pouco de amargura
Ao seu cemitério marinho
Num meio-dia começado a cada dia.

MILOSZ, Czeslaw. "Preleção". In: Não Mais. Seleção, tradução e introdução de Henryk Siewierski e Marcelo Paiva de Souza. Coleção Poetas do Mundo. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 2003.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Leitores IV

Só se lê bem aquilo que é lido com algum propósito pessoal. Pode ser até com a intenção de adquirir poder. Pode ser até mesmo com ódio ao autor.

Paul Valéry