quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Conclusão
Nós, sua presa,
vamos sem receio.
Quando rimos, indo, em meio à correnteza,
chora de surpresa
em nosso meio.
Rainer Maria Rilke
CAMPOS, Augusto de. Coisas e Anjos de Rilke. São Paulo: Ed. Perspectiva, 2007.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Tão pequeno
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e se indigne o Céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?
Caetano Veloso
[ sobre poema de Luís de Camões ]
quarta-feira, 29 de julho de 2009
XXVII
Même quand elle marche on croirait qu'elle danse,
Comme ces longs serpents que les jongleurs sacrés
Au bout de leurs bâtons agitent en cadence.
Comme le sable morne et l'azur des déserts,
Insensibles tous deux à l'humaine souffrance,
Comme les longs réseaux de la houle des mers,
Elle se développe avec indifférence.
Ses yeux polis sont faits de minéraux charmants,
Et dans cette nature étrange et symbolique
Où l'ange inviolé se mêle au sphinx antique,
Où tout n'est qu'or, acier, lumière et diamants,
Resplendit à jamais, comme un astre inutile,
La froide majesté de la femme stérile.
BAUDELAIRE. Charles. “Les Fleurs du Mal”. In: Oeuvres complètes. Éditions Robert Laffont, 2001.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Carta-manifesto contra a Cracolândia
A comunidade do bairro de Campos Elíseos e adjacências vem publicamente protestar junto à Prefeitura de São Paulo e o Governo do Estado quanto ao modo como vêm tratando o grave problema da Cracolândia e dos moradores de rua na cidade de São Paulo.
Campos Elíseos e bairros adjacentes não aceitam que a nova Cracolândia se instale nas suas ruas, sendo empurrada pela Prefeitura, que entrega a região da Nova Luz ao poder do capital e da especulação imobiliária.
Exigimos que a Prefeitura e o Governo do Estado apresentem urgentemente solução para o problema e um plano de metas para nossos bairros, considerando:
a) A necessidade de um programa sério de saúde, criado e mantido pela Prefeitura e pelo Estado, para tratamento de usuários de crack e outras drogas, com criação e implementação de clínicas para tratamento de dependentes químicos.
b) Promova uma discussão pública e com especialistas a respeito do direito dessas pessoas a tratamento de saúde e acolhimento social.
c) Respeito à Lei Municipal 12.316 em relação aos serviços sociais necessários e urgentes para acolhimento e atendimento a moradores de rua, devolvendo-lhes a dignidade perdida e/ou ameaçada.
d) Coíbam e fiscalizem ações assistencialistas no bairro que visam manter as pessoas carentes em situação de miséria permanente por exclusiva dependência de supostos benefícios.
e) Promovam a revitalização e recuperação dos bairros centrais para que estes não venham a se tornar, posteriormente, alvo da especulação imobiliária que pisa na história dos bairros e da cidade de São Paulo.
Nosso manifesto visa mostrar à população que, por atrás de importantes e necessários equipamentos culturais para a cidade, como a Sala São Paulo, a Estação Pinacoteca e a Escola de Balé, existe um entorno totalmente degradado que agoniza a céu aberto e que tem sido tratado pelo Poder Público com desprezo e desrespeito aos cidadãos do centro. Não queremos que nossos bairros se tornem num futuro próximo alvo de predadores movidos exclusivamente pela especulação imobiliária.
Exigimos respeito, segurança e participação nas decisões quanto ao futuro de nossos bairros.
São Paulo, julho de 2009
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Ingenuidade
Eu não podia me enganar assim
Com uma criança qualquer
Que veio ao mundo bem depois de mim
Eu não reclamo o que ela fez
Só condeno a mim mesmo
Por ter me enganado outra vez
Eu fiz o papel de um garotinho
Quando arranja a primeira namorada
Na ingenuidade, acredita em tudo
Porque do amor não entende nada
Esqueci que um dia machuquei meu coração
E levei muitos anos pra curar
E fui tornar molhar meus olhos
Coisa que eu luto a muitos anos pra enxugar.
(Serafim Adriano)
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Mortal loucura
Na oração, que desaterra … a terra,
Quer Deus que a quem está o cuidado … dado,
Pregue que a vida é emprestado … estado,
Mistérios mil que desenterra … enterra.
Quem não cuida de si, que é terra, … erra,
Que o alto Rei, por afamado … amado,
É quem lhe assiste ao desvelado … lado,
Da morte ao ar não desaferra, … aferra.
Quem do mundo a mortal loucura … cura,
A vontade de Deus sagrada … agrada
Firmar-lhe a vida em atadura … dura.
O voz zelosa, que dobrada … brada,
Já sei que a flor da formosura, … usura,
Será no fim dessa jornada … nada.
(Zé Miguel Wisnik e Gregório de Matos)
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Das solidariedades hipócritas
Busque Amor novas artes, novo engenho
Busque Amor novas artes, novo engenho,
Para matar-me, e novas esquivanças;
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.
Que dias há que n'alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.
CAMÕES, Luís de. "Sonetos". In: Obra Completa em um volume. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 2005, p. 273.
Fenômeno
domingo, 26 de abril de 2009
Le temps
Le temps se passe, et le conte de la vie
s'achève, sans qu'on s'en aperçoive".
Diderot
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Muito além do Cidadão Dantas
Gilmar Dantas
Um Homem de Moral
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Sobre a intuição
South American Way
in the tropics?
With that hazy lazy
Like, kind of crazy
Like South American Way
Ai, ai, ai, ai
Have you ever kissed
in the moon light
In the grand and Glorious
Gay Notorious
South American Way
segunda-feira, 13 de abril de 2009
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Poética da recusa
Muros
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Memorial de Aires
segunda-feira, 30 de março de 2009
Olhos Azuis
Do ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva:A Folha adora debochar das mancadas verbais do presidente Lula. Quase sempre de maneira preconceituosa, elitista, exagerada, inócua e equivocada porque um presidente deve ser julgado pela sua administração, não pelo seu português ou seus conhecimentos gerais.
Na sexta, deu destaque a um desses deslizes: a acusação de que a crise econômica é culpa de "gente branca com olhos azuis". A frase tem conotação racista e ideológica, foi proferida diante de um chefe de governo de nação majoritariamente branca e merecia repercussão.
Mas ao armar uma pegadinha para Lula e mostrar que há envolvidos na crise negros, asiáticos e de olhos castanhos, o jornal aceita a premissa do argumento e se nivela com ele.
Porque a carga horária almentar ?
domingo, 8 de março de 2009
Ronaldo x Palmeiras
sábado, 7 de março de 2009
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças
Esquecida pelo mundo que ela esqueceu
Brilho eterno de uma mente sem lembranças!
Toda prece é ouvida, toda graça se alcança"
A Pantera
De tanto olhar as grades seu olhar
esmoreceu e nada mais aferra.
Como se houvesse só grades na terra:
Grades, apenas grades para olhar.
A onda andante e flexível do seu vulto
em círculos concêntricos decresce,
dança de força em torno a um ponto oculto
no qual um grande impulso se arrefece.
De vez em quando o fecho da pupila
se abre em silêncio. Uma imagem, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer no coração.
Rainer Maria Rilke
(tradução de Augusto de Campos)
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Feito um riachinho num ribeirão
ROSA, João Guimarães. "A Estória de Lélio e Lina". In: Corpo de Baile. Volume 1. Edição Comemorativa 50 anos. São Paulo: Ed. Nova Fronteira, 2006.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Plataforma 2009
Não põe corda no meu bloco,
nem vem com teu carro-chefe,
não dá ordem ao pessoal.
Não traz lema nem divisa que a gente não precisa
que organizem nosso Carnaval.
Eu não sou candidato a nada,
meu negócio é madrugada mas meu coração não se conforma.
O meu peito é do contra e por isso mete bronca
por um bloco que derrube esse coreto,
por passistas à vontade que não dancem o minueto,
por um bloco sem bandeira ou fingimento
que balance a abagunce o desfile e o julgamento,
que sacuda e arrebente o cordão de isolamento.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Chá de Jurubeba
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Preleção I
Para admirar o poeta
Por ele suportar com bons modos
As circunstâncias desagradáveis:
Aquelas damas com as melhores intenções,
Os esnobes e seus aplausos,
O canibalismo e as guerras
Do seu século.
Porque o palestrante apenas fingia
Estar entre eles, com eles.
Na verdade, recolhido,
Estava contando sílabas.
Servo da arquitetura,
Criador de variantes de cristal,
Se apartava da causa
Irrazoável dos mortais. (...)
Preleção II
A alegria e o choro,
A fé e o desespero,
A vileza e o horror.
O vento cobriu de neve os sinais,
A terra levou os gritos,
Hoje ninguém mais se lembra
Como e quando isto foi.
E só um dourado, brilhante
Verso decassilábico
Perdura e perdurará pela própria
Harmoniosa razão.
E eu, tarde, retorno
Com um pouco de amargura
Ao seu cemitério marinho
Num meio-dia começado a cada dia.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Pecado?
ROSA, João Guimarães. "Campo Geral". In: Corpo de Baile. Volume 1. Edição Comemorativa 50 anos. São Paulo: Ed. Nova Fronteira, 2006.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Legados de FHC
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Também este dia passará
tudo em volta é esta solidão.
a vida em seus intervalos
o vazio da morte
a vida da vida.
Num mesmo
e outro tempo
meninos jogam futebol
até entardecer: horário de verão.
Ode Marítima
Uma alma a transbordar de Mar,
Ébria a cair de coisas marítimas
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Um João
El Aleph
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Carta ao Homem do Povo Charlie Chaplin
que entraram no cinema com a aflição de ratos fugindo da vida,
são duas horas de anestesia, ouçamos um pouco de música,
visitemos no escuro as imagens - e te descobriram e salvaram-se.
Falam por mim os abandonados da justiça, os simples de coração,
os párias, os falidos, os mutilados, os deficientes, os recalcados,
os oprimidos, os solitários, os indecisos, os líricos, os cismarentos,
os irreponsáveis, os pueris, os cariciosos, os loucos e os patéticos.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Astúcias do Dis-curso
Partida
Que são para o artista? Coisa alguma.
O que devemos é saltar na bruma,
Correr no azul à busca da beleza.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Obra em Progresso
domingo, 10 de agosto de 2008
sábado, 2 de agosto de 2008
Comissão Brundtland, 1987
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Boi voador não pode
São 80 milhões de cabeças na Amazônia: Manda prender esse boi ... Seja esse boi o que for ...
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Questão de fundo 2
Contra Blairo Maggi
Será?
Questão de fundo
Termômetro
Clima de Omissão
É muita sujeira para se atingir o "progresso", não?
terça-feira, 29 de julho de 2008
sábado, 26 de julho de 2008
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Mar sonoro
Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. Dia do Mar. Lisboa: Ática, 1947.
terça-feira, 22 de julho de 2008
A Mídia e os banqueiros
domingo, 20 de julho de 2008
sábado, 19 de julho de 2008
Data
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Espero
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. Poemas Escolhidos. Seleção de Vilma Arêas. São Paulo: Companhia das Letras, 2004
quinta-feira, 17 de julho de 2008
No poema
O intenso fogo devorador das coisas
Que esteve sempre muito longe e muito perto.
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. "Mar Novo". In: Poemas Escolhidos. Seleção de Vilma Arêas. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
Instantes
domingo, 13 de julho de 2008
Eureka !
Acepções
substantivo feminino
Regionalismo: Norte do Brasil
aguardente de mandioca
Etimologia: tupi ti'kïra 'aguardente de mandioca' (Dicionário Houaiss)
Hipóteses
O corte das palavras da Corte
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Das Wort Vom Zur-Tiefe-Gehn
a palavra que lemos.
Os anos, as palavras desde então.
Somos sempre os mesmos.
Sabes, o espaço é infinito,
sabes, não precisas voar,
sabes, o que se escreveu em teu olho
aprofunda-nos o fundo.
CELAN, Paul. "A Rosa-de-Ninguém". In: Cristal. Tradução de Claudia Cavalcanti. São Paulo: Ed. Iluminuras, 1999.
E agora quem poderá me defender ?
Contra a Mídia
terça-feira, 8 de julho de 2008
Na Asa do Vento
O sol tem rastro vermeio
É o mar um grande espeio
Onde os dois vão se mirar
Rosa amarela quando murcha
Perde o cheiro
O amor é bandoleiro
Pode inté custa dinheiro
É fulô que não tem cheiro
E todo mundo quer cheirar
Luiz Vieira / João do Vale
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Podemas
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Toca da Raposa
terça-feira, 1 de julho de 2008
Ponte Estaiada
terça-feira, 24 de junho de 2008
Ousadia da alma
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Parafraseando Romário
Veneno Remédio
Corona
Descascamos o tempo das nozes e o ensinamos a andar:
o tempo volta à casca.
No espelho é domingo,
no sonho se dorme,
a boca fala a verdade.
Meu olho desce ao sexo da amada:
olhamo-nos,
dizemo-nos o obscuro,
amamo-nos como ópio e memória,
dormimos como vinho nas conchas,
como o mar no raio-sangue da lua.
Ficamos entrelaçados à janela, eles nos olham da
[rua:
está na hora de saber!
Está na hora da pedra começar a florescer,
de um coração golpear a inquietude.
está na hora de ser hora.
Está na hora.
CELAN, Paul. "Ópio e Memória". In: Cristal. Tradução de Claudia Cavalcanti. São Paulo: Ed. Iluminuras, 1999.
Uti Possidetis
Ideb
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Inscrição
Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar.
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. "Livro Sexto". In: Poemas Escolhidos. Seleção de Vilma Arêas. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Leitores IV
Leitores III
AUDEN, W.H. "Ler". In: A Mão do Artista. Tradução de José Roberto O'Shea. São Paulo: Siciliano, 1993.
Caetano Veloso, 'cavalo' padecente
TRISTE BAHIA
Triste Bahia! Ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.
A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.
Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.
Oh se quisera Deus que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!
(In: Gregório de Matos. Crônica do Viver Baiano Seiscentista. Obra Poética Completa. Códice James Amado. Vol. 1. Rio de Janeiro: Record, 1999).
terça-feira, 20 de maio de 2008
The gouffre de nosotros
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Leitores II
Leitores I
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Mengão Bi
Voto Camarão
O que dizer de José Agripino Maia (DEM-RN) ? Dos porões da ditadura veio à tona uma entrevista em que Dilma Rousseff afirma ter mentido muito em interrogatórios na década de 70, nos quais estava sob tortura. Maia tenta intimidar a ministra e suscitar que ela também estava mentindo no Senado. Dilma reage: "Eu fui barbaramente torturada, senador" (...) "Qualquer pessoa que ousar dizer a verdade para torturadores compromete a vida de seus iguais, entrega pessoas para serem mortas. Eu me orgulho muito de ter mentido, senador, porque mentir na tortura não é fácil". Acho que não é preciso dizer mais nada. O que aconteceu só reforça a tese de que "o grande ícone da moral", título propagandeado pelo espetáculo midiático, não passa de um filhote da dita dura. Desta vez Jajá deixou rabo-de-palha. terça-feira, 6 de maio de 2008
Flor
A pedra no ar, que segui.
Teu olho, tão cego como a pedra.
Éramos
mãos,
esvaziamos a escuridão, encontramos
a palavra, que ascendia do verão:
flor.
Flor - uma palavra de cegos.
Teu olho e meu olho:
procuram
água.
Crescimento.
O coração: de parede a parede
se forma.
Uma palavra ainda, como esta, e os martelos
vibram ao ar livre.
CELAN, Paul. "Prisão da Palavra". In: Cristal. Tradução de Claudia Cavalcanti. São Paulo: Ed. Iluminuras, 1999.
Investiment Grade
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Sabedoria Wikipédia
É considerado, hoje, patrono dos bons usuários da Internet.
San Isidoro de Sevilla





