sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Da adolescência

Adolescente é um substantivo no particípio presente: um ser que está acontecendo. De corpo e de espírito, o adolescente é um estado. Estado de quê?
O segredo do adolescente está guardado há séculos, no DNA da palavra adolescente, para só revelar-se agora, no nosso tempo. O radical vem do verbo latino oleo, -es, -ers, olui, que quer dizer exalar um perfume, um cheiro, recender – bem ou mal. É a mesma raiz da palavra olor, significando aroma sutil, fragrância. Com a preposição ad como prefixo tornou-se o verbo latino adoleo, que quer dizer queimar, fazer queimar, consumir pelo fogo em honra de um deus. Entende-se: as ervas queimadas no altar do sacrifício exalam cheiros, perfumam, recendem – estão aí para isso. Podemos adiantar uma fórmula: o adolescente será aquele que arde, que queima, que se consome no seu próprio fogo, sacrificado aos deuses de sua idade, de sua época.
O terceiro elemento da fórmula, o esc, só acentua a ideia de processo temporal, de algo que vai acontecendo, como na palavra evanescer – o que se esvai aos poucos. Assim, adolesco, extensão de adoleo, é o verbo latino de duplo sentido que significa transformar-se em vapor, em fumaça, e também passar de um estado a outro – crescer, desenvolver-se, tornar-se maior.
O elemento ent só vem acentuar mais uma vez o acontecimento temporal: adolescente é aquele mutante que está sendo posto para se consumir ardentemente, enquanto cresce. O particípio passado do mesmo verbo é (pasmem) adulto. Assim, diante do adolescente o adulto se arrisca sempre a ser o fósforo queimado, aquele que não fede nem cheira.
Duas consequências. Na sociedade de consumo, o adolescente, que se consome em consumir-se, tornou-se, por definição, o alvo principal, o modelo do consumidor ideal e sua realização mais plena. A sociedade de consumo quer converter todo mundo, adultos e crianças, ao estado adolescente, queimando-os no altar dos deuses voláteis. Ser adulto tornou-se um ato heroico. Ser criança, quase impossível.
Ao mesmo tempo, ser adultolescente é um estado poético e utópico, desejável, de quem conclui os processos de maturidade sem deixar de arder. Caetano Veloso fez desse desejo o estribilho da sua canção O Homem Velho: a carne/ a arte arde/ a tarde cai/ no abismo das esquinas/ a brisa leve traz o olor fugaz/ do sexo das meninas. Só mesmo o faro de um poeta para captar nas palavras a fragrância imperceptível – o olor fugaz –, a essência da adolescência.

WISNIK, José Miguel. Sem receita. São Paulo: Publifolha, 2004, p.383-384

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O que é poesia?



O seguinte artigo foi publicado na minha coluna da "Ilustrada", da Folha de São Paulo, no sábado, 3 de abril:



O que é poesia?


O POETA Edson Cruz perguntou "O que é poesia?" a diversos poetas. 45 responderam. Cada um deu uma resposta diferente, embora não necessariamente incompatível com as dadas por cada um dos demais. A pergunta era na verdade um pretexto para pensar sobre a poesia. O resultado se transformou num livro.

Eu mesmo participei do livro e recentemente, ao reler o que lá dissera, lembrei-me que já havia respondido a essa pergunta de outros modos. Por exemplo, supondo que a poesia é aquilo que faz de um poema um poema, escrevi uma vez que ela consiste no grau de escritura de um texto. A ideia é que um poema (bem) realizado é um texto dotado de um altíssimo grau de escritura.

Isso supõe que alguns escritos são mais escritos do que outros. Digo isso tendo em vista algumas das mais importantes características do discurso escrito, em oposição ao oral. Abstraindo dos modernos meios de gravação de voz, considero evidentes as seguintes três proposições:

1. Enquanto o discurso oral é efêmero, o discurso escrito tem uma permanência indefinida;

2. enquanto o discurso oral é fluido e aberto, isto é, está sempre em movimento, como a vida, e sujeito a mudar a todo instante, o discurso escrito é fixo e fechado, e não é sujeito a mudança;

3. enquanto o discurso oral se realiza ou se concretiza plenamente quando falado, o discurso escrito se realiza ou se concretiza plenamente quando lido.

Pois bem, embora todo discurso tenha uma permanência indefinida, não a tem na mesma medida. A permanência de um rascunho, por exemplo, ou de um bilhetinho, ou de um torpedo, ou de uma mensagem de celular, ou de um memorando não costuma ser muito grande. É assim quase tudo o que se escreve e não se publica.

Mas é também assim quase tudo o que se publica. Os jornais são guardados nas bibliotecas e nos arquivos, mas quem os lê senão, de tempos em tempos, um historiador? Um texto que não é lido não se concretiza plenamente. Ora, esse é o destino não só dos periódicos, mas, de modo mais inexorável ainda, de 99,9% dos livros. Assim, no que diz respeito à primeira característica do discurso escrito, que é a da permanência, entra em jogo a sua terceira característica, que é a de se concretizar ao ser lido. A mera permanência física de um livro está longe de significar a permanência plena ou concreta do seu texto.

Já a qualidade de ser fixo e fechado parece, à primeira vista, ser compartilhada igualmente por todos os textos, enquanto duram. Na verdade, porém, não é bem assim. Posso, por exemplo, considerar os rascunhos de um poema meu como as transformações pelas quais ele passou antes de ficar pronto.

Se eu fotografasse cada uma dessas transformações, fizesse slides dos fotogramas, colasse uns nos outros como numa fita de cinema e pusesse essa fita num projetor, creio que veria o poema a se mexer como se fosse um desenho animado. Ele pareceria, então, fluido como uma fala; e, caso se tratasse de um poema ainda não terminado, de modo que eu continuasse a adicionar fotogramas a essa fita, ele pareceria também aberto como uma fala.

Os textos que dizem coisas de caráter prático ou mesmo cognitivo, tais como os textos técnicos e científicos, são mais ou menos assim, abertos e fluidos, pois, caso contrário, o que dizem acaba por deixar de ser verdadeiro ou útil, de modo que eles se tornam obsoletos e deixam de ser lidos, isto é, deixam de se concretizar. Assim também enciclopédias ou dicionários mantêm-se vivos porque são atualizados por novas edições.

Os textos que não estão sujeitos a esse tipo de descartabilidade são aqueles cujo valor -atenção: neste ponto, não há como não empregar juízos de valor- não depende de serem verdadeiros ou falsos, ou de terem qualquer outra função prática. Assim são os textos literários que, valendo por si, pertencem antes à ordem dos monumentos do que à dos documentos. É assim que as Musas de Hesíodo se orgulham de saber "dizer muitas mentiras parecidas com a verdade".

Pois bem, dentre os textos literários, que valem por si e são os mais escritos dos escritos, os mais escritos de todos são os poemas. Por quê? Porque consistem em formas puras. No limite, não há, neles, diferença entre o que dizem e o modo como o dizem. Como não se pode, num poema, separar o significado do significante, a rigor não se pode dizer em outras palavras o seu significado. É por isso que, no que diz respeito a um poema, parece-me em geral menos apropriado falar de "tradução" do que, como dizia o poeta Haroldo de Campos, de "transcriação".

Do Blog "Acontecimentos", de Antônio Cícero. 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Às armas homens bons: eleições fraudadas pelos comunistas!


Isto é a mãe de todas as infâmias! Um ultraje, o mais vergonhoso roubo que a nação já viu, uma fraude indescritível contra a vontade nacional, quando todas as pesquisas sérias como a Dataprado indicava a clara vitória de Serra disparado no segundo turno, querem que aceitemos um resultado fraudado e mentiroso que indica a vitória da terrorista búlgara? Só temos uma resposta a essa infâmia, mas de vários calibres!


Formem vossos batalhões para lutar em defesa da Pátria amada ultrajada, este é o momento de nos levantarmos em armas contra o bolchevismo petista pois não podemos mais aguentar esta grande humilhação. Temos que agir, não posso vos prometer nada mais que a luta encarniçada até a vitória final. Lutaremos nos condomínios, lutaremos nos campos de golfe, lutaremos nos resorts, lutaremos em Higienópolis até que o último petista tenha sido aniquilado e a nação resgata das trevas petélicas que os marxistas a mergulharam sem dó.

Com as urnas fraudadas, as armas serão nossas companheiras até que o apedeuta usurpador seja deposto e a candidata búlgara fantoche seja impedida de tomar posse. Todo homem bom deverá engrossar nossas fileiras, assumindo os postos de comando como oficiais desse glorioso exército libertador que abrirá caminho a bala até o Palácio do Planalto para lá assentar José Serra na cadeira de mandatário maior da nação.

Marchai! Marchai!


 Mais uma do fantástico blog do Professor Hariovaldo Almeida Prado

Ressaca do feriadão

Segundo a jornalista Miriam Leitão, em comentário na manhã desta segunda-feira no “Bom Dia Brasil”, na Globo, não há nenhum ineditismo no fato de uma mulher ser eleita para presidir o Brasil. A princesa Isabel fez isso antes, no final da monarquia.

Primeira filha de D. Pedro 2º, Isabel (1846-1921) foi regente do império por três ocasiões, na ausência do pai. Numa delas, em 1888, promulgou a Lei Áurea. Miriam Leitão usou uma imagem republicana para comparar a monarca com a presidente eleita: “Ela exerceu o mandato em partes, né?”
A integra do comentário pode ser visto aqui. Um resumo pode ser lido abaixo:
Renato Machado: “Miriam Leitão, pela primeira vez uma mulher é eleita presidente da República. Qual é o significado deste fato?”
Miriam Leitão: “Importantíssimo. A última vez que uma mulher governou o Brasil foi no século 19. E agora no século 21 uma mulher vai governar o Brasil. (…)
Alexandre Garcia: “A Miriam me deixou com uma curiosidade. Que mulher governou o país no século 19?”
Miriam Leitão: “A princesa Isabel, em nome do seu pai, quando ele viajava pra… Somado, dá quase quatro anos. Ela exerceu o mandato em partes, né?”

Publicado originalmente no blog do Mauricio Stycer

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Mulheres boas do Brasil, é hora de cumprir com vosso dever

Do Blog do Professor Hariovaldo Almeida Prado






Os homens bons da nação caminham unidos com as mulheres boas para juntos livrarem o país das chagas marxistas do PT, tendo cada um a sua parte e a sua função a desempenhar, dando o máximo de si, e se dando de corpo e alma ao nobre ideal de conquistar milhões de votos para consagrar a eleição de José Serra com a máxima votação possível. As mulheres boas têm fundamental importância no arrebanhamento de votos , através de suas relações colaterais, indicando aos bons pretendentes que o caminho para o coração passa pela eleição do nobre Almirante do Tietê.







Às jovens damas, devem também colaborarem, seguindo à riscas as recomendações de nosso líder maior, “Se é menina bonita, tem que ganhar 15 (votos). É muito simples: faz a lista de pretendentes e manda e-mail dizendo que vai ter mais chance quem votar no 45″, e assim, sutilmente iremos construir a mais bela vitória possível dentro da moralidade cristã, deixando claro a todos que somente Serra é do Bem. Mãos à obra!

Post Scriptum: Com a viagem inesperada da Ritinha, estou tendo a oportunidade de testar pessoalmente as habilidades da minha segunda assistente, Samanta Hauser , na arte de conquistar votos para Serra. A moça tem muito a aprender ainda mas é muito dedicada e tem futuro

sábado, 23 de outubro de 2010

Setembro, 23

primavera: primor do amor. rosas que caem, choro da dor. a primavera nada espera. é o desespero da flor.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Serra tumultua missa em Canindé-Ce

Discurso do presidente Lula na cerimônia de entrega prêmio Carta Capita

Discurso de Leonardo Boff e Chico Buarque

Silvia Buarque vota em Dilma

Tá Combinado

Podemos ver o mundo juntos,
Sermos dois e sermos muitos,
Nos sabermos sós sem estarmos sós.
Abrirmos a cabeça
Para que afinal floresça
O mais que humano em nós.
Então tá tudo dito e é tão bonito
E eu acredito num claro futuro
de música, ternura e aventura
Pro equilibrista em cima do muro.

Caetano Veloso